· Minha vó vive falando
A mulher tem seu poder,
Diz que até mesmo um dia,
A “coisa” ruim chegou vencer.
Engabelou o danado,
Sem precisar puxar o rabo
De outro jeito soube fazer
· Pobres eles eram
De agricultores um casal,
Passavam por maus bocados
Não tinham nem mesmo sal.
Para não morrer de fome
Viviam da caçada do homem
Comiam somente pardal.
· A mulher estava cansada
Daquela vida sofrida,
Mas era estranho porque
Uma garrafinha tinha escondida
Quando então resolveu abri
Fazendo-se descobrir,
Que coisa tinha embutida.
· De dentro saiu uma fumaça
Que era de se benzer,
Como arrumou o objeto?
Não se sabe nem dizer.
O marido não se encontrava
Portanto não se esperava
O que a mulher ia fazer.
· A figura se mostrou
Meu Deus, era o azarento.
Disse não é bom falar
Nem mesmo em pensamento.
Ele logo perguntou
E ele logo Le falou
Qual era seu planejamento.
· O diabo não se importou
Mas logo uma coisa “quereu”
A mulher disse assim
“...uma coisa que`de meu”
Era a alma do marido,
Que desconhecia o requerido
E logo na mata lhe apareceu.
· Se fez de um belo rapaz
Prometeu-lhe uma riqueza,
O homem então aceitou,
Era circunstância e não esperteza.
Disse que uma coisa queria
Só não disse o que levaria
Mas o homem não teve certeza.
· Tamanho foi seu espanto
Quando de um pipoco sumiu,
Uma catinga de enxofre
Ai foi que se presumiu,
Danou-se dali numa banguela
Que quase perde a chinela,
Suas calças foi quem se viu.
· Quando chegou em casa
Ele não à reconheceu,
Se não fosse pela mulher
Que de lá apareceu,
E foi assim se lembrando
Do que o rapaz tava falando,
Cumpriu o que prometeu.
· Fez-se uma grande mansão
Era tudo muito bonito
Havia vários funcionários
De ótimos pré-requisitos.
E o tempo se passou
O homem logo gostou.
Mas tudo era muito esquisito
· A ordilosa mulher
Parecia uma donzela
Vestidos vários de seda,dente de ouro,
Na boca não mais banguela
Já não faltava mais comida
Tinha ouro de fadiga
Até na tampa das “panelas”!.
· Na véspera do fim do mês
O rapaz ao homem apareceu,
E ele lhe perguntou:
O que se as sucedeu?
Logo respondeu sem demora:
”amanhã por essa hora
To “vino” buscar o que é meu.
· O homem se recordou
Do que tinha prometido,
só não sabia que`ra alma
Que estava em perigo,
Foi dizendo arrepiado:
“quanto é que eu pago,
Sou um homem muito rico”.
· O pilantra numa gargalhada
Rápido disse assim:
“se fosse mode dinheiro,
eu num tava nem aqui
Foi no dia da caçada
Tu no tava nem em casa,
Eu ganhei foi tu pra mim”.
· O homem saiu incrédulo
E a mulher chegou ali,
Virada num siri perguntando:
“ o que tu ta fazendo aqui?
“ só venho ti lembrar
Que amanhã eu vou estar
Ao meio dia por ai”.
· Mais esperta foi a mulher
De besta só tinha a cara,
Achou uma oportunidade
E a situação contornara.
Promoveu-lhe um desafio
O fedorento logo riu
Era duas almas que levara.
· A mulher falou ligeiro:
“ eu já me arrependi,
Se tu levar meu marido
Levas também a mim.
Desse modo será feito
Eu e tu fazemos um jeito
Um ganhar somente conseguir.
· Serão duas provas
Para um de nós descobrir,
Qual será a cor da saia
Que amanhã eu vou vestir?
Isso é o que tu vai dizer,
Já eu vou ti fazer
A tua idade descobrir.”
· O diabo riu tanto
Até pelo chão embolar
Perguntas bestas como aquelas
Não tinha como se enrolar
Com algumas condições impostas
Firmou-se a proposta
O amanhã decidirá.
· Ela estava fazendo
De caso pensado tudo certo,
Porque se não aquela garrafa
Ela nem mesmo tinha aberto
Desafiar o diacho
Coragem de pouco macho
Era mesmo um nó cego.
· No outro dia o marido
Estava muito agoniado
Pensando só naquela hora
Que ele seria levado.
A mulher disse assim:
“ deixa comigo Joaquim
Deus é comigo e não abro.
· Faltava acho que meia hora
Pra coisa ruim de apresentar,
A mulher foi colocando
O marido pra se deitar
Foi preparando a chegada
Pra maldade de barba
Na conversa levar.
· E a mulher assim se pôs
Do mesmo jeito que nasceu
Nenhuma peça de roupa
No corpo permaneceu,
Colocou-se no batente sentada
De uma forma mal portada
A espera se procedeu.
· O meio dia se interou
E ele vinha a galope
A mulher logo colocou
Uma perna no sul outra no norte
O coisa ali chegou
E logo se deparou
Com a cena um tanto forte.
· Inerte ali ficou
Sem o olho desviar,
E o seu pensamento
Não soube mesmo recordar
A cor da saia não lembrou,
Mas se no momento ela usou
Não dava para enxergar.
· E daquela boca erótica
Foi dito o que queria-se ouvir,
To com mil e tantos anos
Nunca vi uma coisa assim.
Foi cedido pelos encantos
Não adiantou estar em prantos
Dois moradores não iam mais ir.
· Cumpriu-se o acordo
A mulher foi absolvida,
Enquanto a alma do marido,
Já não foi mais requerido,
O “coisa” voltou pra garrafa,
A felicidade deles esbarrava
Diante do resto da vida.
Fim
É esse o perfil da mulher
que não só se acha nessas bandas,
estão por ai outras tantas,
batalhadoras “mulher macho”,
que só sossega o facho
ao vencerem na vida
a derrota pra elas é inibidas,
as garrafas são abertas
pra essas mulheres certas
não sabem o que é fadiga.
Autor : Fabrício Miguel, em 02/03/11
08 de março dia internacional da mulher.
Dedico esse cordel a Rosinilda Bezerra,uma das mulheres mais invejáveis por sua “indesistência. “ela arrisca abrir uma garrafa,pois sabe que vai conseguir tampar. Uma das minhas melhores professora e amiga.
Parabéns, mulesta dos cachorros

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