DIÁRIO DE RHEA: Quando a cidade dorme ai é que começo a viver meu orbe, nele eu me acho. É bom, esta na fronteira entre o sim e o não, entre o real e o ilusório,entre a razão e a loucura, entre a verdade e o aleive, entre o possível e o impossível. É lá que vivo, plena; É lá que eu eternizo, corro o risco sem medo. Autora: Rosinilda Bezerra Porto
sábado, 25 de junho de 2011
O meu Eu
Risco cenário atravesso era.
Derramo silêncios. Inverno-me.
Desabito momentos, acendo fogaréus, descasco pinhão…
Abraso palavras. Na alquimia das chamas
escrevo em paixões.
Labaredas de mim, tecem as horas apagadas da lareira, reacendo em saudade
arremesso-me vendavais, escorro-me lágrimas de chuva… e lacrimejo-me saudades…
ouço memory, sinto a cortina da noite e bato a porta.
Porto-me assim mesmo, permitindo-me sentir a brisa dos corações ferventes
afogo-me na liberdade líquida, desenterro minhas emoções
no recipiente de desejo, escuto a ebulição de algumas palavras…
Os anseios escorrem, os versos chegam, os poros desalinham…
palavras híbridas, palavras bravas. Rasga -me a essência
assombro-me com o adverso das coisas nominadas.
Desviam minhas linhas, descarrilam essa locomotiva de emoções
e signo sigo.Habito cenário, reconheço a era..
Sigo mesmo fora da linha, noutros caminhos porque minha direção quem dá é o vento
nele me aninho em desalinho, me avesso em avesso
volto à figura e recolho os pixels com letras brilhantes de luz a me transpassar
os atalhos de outras em mim
rodando o corpo abrasado e leve até arder
lentamente retorno… de um talvez…
Transcendendo estados ilusionistas a um agora célico
transfiguro-me de ser
Destorrãolizado ser, de cortes em alma, de sangrias na pele
luto em outrem, por outrem e assim sou
assombro, temo permaneço , entendo o Outro em meu ser, dependo dele, existo no Outro
e nesta carência de mim me sustento
sustento-me na imagem refletida, traspassada pelo passado a cortar meu ser em seu presente que é o meu presente em ti, e sendo ti … sou sendo tu
realizo-me no ser que não compreendo, individualista sou, o ser não compreendido sou eu.
Sim, eu sei, e assim me completo em auto-compreensão, mas e tu? Sabes de mim, sabes que sou em ti presença e por isso ausência de mim? Sabes que meu egoísmo é…
Mas toda presença, em sua agressiva existência, carrega momentos de ausência. Eu e Tu, até formarmos o Nós, somos ausentemente presentes.
E esta compreensão desta ausência acatada e mútua eleva-nos à cerne do “amor”. Amor, palavra que dizem ser emoção, não acredita. Que me perdoem os bardos, se amor é emoção não pode ser assim chamado, deve apenas ser sentido. Emoção não se nomeia, se vive. Presente ausência que corrói o desfragmentado ser.
Meu abrigo se figura no espanto de me encontrar desamparada; só, abatida e apaixonada!
Desfragmentado ser que a luz transpassa e une caminhos de luz
raios nus de luz, raios sós em nós, aquece, une e seduz
fascinada de luz, abandonado coração bóia na sombra do corpo trêmulo…
envolta em luz, rodopia no espaço na busca do seu próprio eu…
sou um rosto no pensamento
um aventurar esquivo
onde risco meu contrário
e dissolvo o verso
gritante na escuridão de mim.
sou a escuridão mergulhado no solitário das minhas confusões.
Por trás do véu do silêncio e da noite, bate em mim um cerne de brilho e amor pela vida.
Jogo de sombra e luz, oscilo entre o mergulho e o salto.
.delicada luz transfigurando o frágil corpo de mulher…
que a luz ilumine, não ofusque
que a água banhe, não afogue
que os gestos bailem
a música dos versos…
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